Ano 5    nº 35      junho de 2000

início informativos 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001
2002

Água não escavou canions de Marte
Cientistas dizem que universo tem 14 bilhões de anos
Como ter tanta certeza de que o homem moderno nada herdou geneticamente
homem de Neanderthal
Curiosidades sobre o calendário
Estudo mapeia cérebro de beija-flores

Físicos descobrem a partícula tau-neutrino
Planetas para todos os lados
Inteligência mapeada: Lobo frontal do cérebro
O segredo mortal do Ebola foi desvendado
Veneno de lagarta ativa coagulação sangüínea
Você conhece a sua língua?

barra.gif (10521 bytes)

 Água não escavou canions de Marte

Os gigantescos canions de Marte foram escavados não pela água, mas por um equivalente gelado dos rios de cinzas que ajudaram a destruir Pompéia, disse um geólogo australiano.

Se ele estiver certo, isto significaria que Marte foi fria e seca - e provavelmente desabitada - pelos últimos 3,5 bilhões de anos, bem mais do que a maioria dos cientistas acredita.

Segundo Nick Hoffman, da La Trobe University, em Melbourne, "fluxos de densidade", similares aos jatos de gás, cinzas e cascalho que às vezes surgem de vulcões terrestres em erupção, erodiram a superfície de Marte. Tais fluxos podem viajar a enormes velocidades e cobrir vastas distancias. Para Hoffman, o colapso do instável terreno marciano liberou dióxido de carbono liquido, que foi encerrado no subsolo. Rapidamente vaporizado pela pressão, parte do liquido formou nuvens de gás e gelo seco, alem de água gelada, poeira e cascalho.

Essas nuvens varreram as encostas, escavando canais sem água. n (Jornal o Estado de São Paulo).

 

Cientistas dizem que universo tem 14 bilhões de anos

Pesquisa feita por astrônomos da Universidade de Cambridge indica que o universo tem 14 bilhões de anos. Os cientistas chegaram a este número utilizando cinco técnicas diferentes, desenvolvidas em Israel e nos EUA.

Quatro desses métodos concluem que a idade do universo é de aproximadamente 14 bilhões de anos, com uma margem de erro de 2 bilhões de anos. Estudos anteriores apontavam números entre 10 e 20 bilhões de anos.

A determinação da idade do universo é importante para o cálculo da vida das estrelas, da estrutura das galáxias e da expansão do Cosmo.

Para o término do trabalho dos cientistas, ainda falta ser resolvido o conflito entre alguns dados. n (Revista Época) .

 

Planetas para todos os lados

Astrônomos não param de descobrir astros fora do Sistema Solar!

Responda rápido: quantos planetas além da Terra você conhece?

Só nossos oito vizinhos do Sistema Solar? É pouco! Os astrônomos, até o começo de agosto, conheciam 41. No último dia 7, durante um encontro internacional na Inglaterra, anunciaram a descoberta de mais dez! E tudo indica que ainda há muitos outros para serem encontrados...

Os astros recém-descobertos fazem parte de diferentes sistemas solares - isto é, de conjuntos de planetas girando ao redor de uma estrela. A Terra também participa de um e tem oito vizinhos: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão. Os astrônomos já descobriram alguns sistemas solares espalhados pelo universo, mas nenhum tão grande quanto o nosso. Depois dele, o maior sistema solar conhecido possui apenas dois planetas!

A estrela Upsilon Andromedae é uma das poucas que tem mais de um planeta em sua órbita. Entretanto, não foi essa a descoberta que mais chamou a atenção dos astrônomos, mas sim a de um planeta bem próximo à Terra. O novo astro ainda não tem nome. Ele é mais ou menos do tamanho de Júpiter, o maior planeta do nosso Sistema Solar, e gira em torno de uma estrela chamada Epsilon Eridani, que fica logo ali, a 10,5 anos-luz (ou 100 trilhões de quilômetros) da Terra. Achou muito? Para os astrônomos, é como se estivesse na esquina. Ou, como disse um deles, "é como se encontrássemos um planeta no nosso quintal"!

Descobrir planetas não é fácil: como eles se localizam próximo a estrelas, não é possível enxergá-los diretamente pelos telescópios. Planetas são astros que não têm luz própria e, por isso, são ofuscados pelas estrelas ao redor da qual giram. Para identificá-los, os astrônomos precisam observar cuidadosamente o movimento de uma estrela. Se algum planeta estiver girando em torno dela, ela é ligeiramente "puxada" para a frente e para trás, como em um "cabo-de-guerra espacial" provocado por forças chamadas de atração gravitacional. Quando os astrônomos descobrem variações no brilho de uma estrela, eles podem deduzir que existe um planeta em órbita e conseguem calcular sua localização e sua massa. Por enquanto, os cientistas só conseguem encontrar planetas maiores que o nosso, porque eles exercem forças mais intensas sobre as estrelas em torno das quais giram. Mas métodos novos estão sendo desenvolvidos e os pesquisadores esperam que seja cada vez mais fácil encontrar planetas.

Assim, pode ser que, no futuro, acabem descobrindo um irmão da Terra perdido pelo espaço... n (Revista Ciência Hoje) .

 

"Como ter tanta certeza de que o homem moderno nada herdou
geneticamente do homem de Neanderthal?"

Leitores do Jornal da Ciência respondem:

1) Mensagem de Enezio E. de Almeida Filho (e-mail: <neddy@uol.com.br>):

"A certeza de que o homem moderno nada herdou geneticamente do Homo neanderthalensis foi verificado pela análise genética do mtDNA (DNA mitocondrial - porção passada de mãe para filhas sem contribuição paterna) de fóssil de criança neanderthal (de cerca de 29 mil anos) comparada ao material genético de humanos modernos de diversas etnias. As diferenças nas seqüências de mtDNA são tão grandes que um ancestral comum das duas espécies somente poderia ter existido entre 365 mil a 850 mil anos atrás. (Igor V. Ovchinnikov, I.V., A. Gotherstrom, G. P. Romanovakk, V.M. Kharitonov, K. Liden e W. Goodwin, in "Molecular Analysis of Neandertal DNA from the Northern Caucasus", Nature 404 (2000): 490-493.)

Recentes pesquisas de mtDNA indicam origem recente da espécie humana há 150 mil anos e a análise do cromossomo Y em torno de 50 mil anos. Reforça a conclusão que o Homo neanderthalensis não contribuiu para o gene pool humano. (Patricia Khan e Ann Gibbons, in "DNA from an Extinct Human", Science, 277 (97); 176-178. I. Simon Whitfield, John E. Sulston, e Peter N. Goodfellow, in "Sequence Variation of the Human Y-Chromosome", Nature, 378 (95), 379-380.)

Além disso, o exame de mais de uma dúzia de crânios de Homo neanderthalensis pelos antropólogos americanos Ian Tattersall e Jefrey Schwartz revelou ossos e cavidades nasais maiores do que dos seres humanos modernos e sem os dutos lacrimais. Diferenças anatômicas nada desprezíveis em termos evolutivos.(Jeffrey H. Schwartz e Ian Tattersall, in "Significance of Some Previously Unrecognized Apomorphies in the Nasal Region of Homo Neanderthalensis", Proceedings of the National Academy of Sciences USA, vol. 93 (96), 10852-10854.Jeffrey T. Laitman, et al., in "What the Nose Knows: New Understandings of Neanderthal Upper Respiratory Tract Specializations", Proceedings of the National Academy of Sciences USA, vol. 93 (96), 10543-10545.)

Embora haja semelhança do genoma humano e os demais animais superiores e inferiores, há controvérsia sobre o que isso realmente significa. Qual é a relação entre o DNA e a morfologia? A decodificação do genoma humano (ainda infante para decifrar o mistério dos mistérios) em nada alterará as conclusões daqueles estudos. A análise genética do mtDNA de um fóssil de Homo neanderthalensis (mil anos antes da extinção daquela espécie) demonstrou não ter havido contribuição alguma para o gene pool da espécie humana".

 

2) Mensagem do analista consultor, Alexandre P. Cabral de Medeiros

(e-mail: <medeia01@acnielsen.com>, fone: (11) 7922-1000):

 

"Atento à pergunta acima", também pergunto:

Como pode ser tão preciso o mapeamento de fragmentos genéticos tão antigos extraídos de fósseis? Quantos e quais métodos de comparação foram empregados?

A pergunta do leitor procede.

Não sou biólogo, antropólogo ou qualquer outro pesquisador deste ramo do conhecimento. Mas, como cético, filósofo e apreciador da verdade científica, tenho enorme interesse pelo assunto. Já li vários artigos e livros (Richard Dawkins, E.O. Wilson, entre outros) sobre o assunto e arrisco uma explicação bem simples, no melhor estilo "Navalha de Okham".Homo Sapiens e Homo Neanderthalensis são duas espécies distintas. Ponto pacíf ico. Não há evidência da ascendência destes sobre a nossa espécie. Do contrário, apenas se fôssemos descendentes dos neanderthais poderíamos herdar alguns de seus traços genéticos ‘particulares’.Todavia é correto afirmar que nós e os neanderthais compartilhávamos certas características genéticas de uma espécie mais antiga, desconhecida até o momento, comum a ambas.

Somos parentes, sim, colaterais, mas não em linha reta. Corrijam-me se estou afirmando bobagens.

Tão relevante quanto a própria pergunta do leitor é a questão da certeza tão peremptória, consoante as suas próprias palavras. No mundo da ciência nem todas as certezas são absolutas e devem ser postas à prova incessantemente. n (Jornal Ciência Hoje).

 

Estudo mapeia cérebro de beija-flores

Como os humanos, eles aprendem a "falar" por imitação, graças a estruturas semelhantes

Já conhecidos por sua beleza e capacidade de ficarem parados no ar, os beija-flores também pertencem a um seleto grupo de animais que, como o homem, aprendem a "falar" por imitação. Para isso, desenvolveram durante sua evolução estruturas cerebrais diferenciadas para o aprendizado e execução do canto da espécie.

A constatação é de uma equipe de pesquisadores brasileiros e um americano que, desde 97, estudaram quatro espécies de beija-flor em uma reserva florestal no Espírito Santo e em laboratório nos Estados Unidos.

Como as estruturas neuronais relacionadas à fala e ao aprendizado no cérebro humano são pouco conhecidas, sua identificação em pássaros poderá abrir caminhos para o estudo de doenças como o mal de Parkinson, diz o neurobiólogo Cláudio Mello, do Laboratório de Comportamento Animal da Rockefeller University, no Estado de Nova York, e um dos líderes do estudo, publicado na revista científica Nature.

Os pesquisadores identificaram sete estruturas no cérebro de beija-flores associadas ao canto, muito semelhantes às também sete estruturas com a mesma função já localizadas nos cérebros de papagaios e pássaros canoros, apesar das três ordens de aves terem se desenvolvido independentemente. Para o neurobiólogo Erich Jarvis, da Universidade de Duke, isso indica que essas estruturas neuronais (não-presentes em outras aves) também foram desenvolvidas separadamente, impulsionadas por fatores ambientais.

"Se foi mesmo uma evolução independente, nós praticamente definimos as estruturas neuronais necessárias para o desenvolvimento da vocalização," observa Mello. "Há uma grande chance que estruturas semelhantes tenham se desenvolvido em outros animais." Além das três ordens de aves, apenas baleias, golfinhos, morcegos e o homem possuem essa habilidade de aprendizado da vocalização pela repetição de sons emitidos por membros da mesma espécie. Outros animais já nascem com as intruções para piar ou rugir detalhadas em seu DNA. n (Jornal Ciência Hoje).

 

Inteligência mapeada: Lobo frontal do cérebro é associado
com atividades que exigem raciocínio

Cientistas britânicos e alemães localizaram a região do cérebro que parece estar mais relacionada com a inteligência, o córtex frontal lateral, situado no lobo frontal. Segundo os pesquisadores, nesta região foi registrada intensa atividade cerebral enquanto aplicavam testes que avaliam o grau de inteligência. A descoberta foi publicada na revista americana Science.

O lobo frontal é a região do cérebro onde atuam os chamados fatores g, componentes cerebrais que desempenham papel chave nas atividades que exigem o uso da inteligência.

"Esses componentes estão relacionados com as principais habilidades mentais", disse o chefe do estudo, John Duncan, do Conselho de Pesquisa Médica da Grã-Bretanha.

Os pesquisadores monitoraram a atividade cerebral de voluntários, enquanto eles faziam dois tipos de teste: o teste de alto nível de fator g e o de baixo nível de fator g. O primeiro exige raciocínio analítico e o segundo envolve perguntas óbvias.

Com o auxílio da técnica Tomografia de Emissão de Positrons (PET, a sigla em inglês), que identifica a atividade química de órgãos e tecidos, os pesquisadores compararam as áreas ativadas durante cada teste.

As imagens mostraram que uma porção do lobo frontal, o córtex frontal lateral, ficava sob intensa atividade quando os testes aplicados eram os de alto nível de fator g.

De acordo com Duncan, essa concentração de atividade cerebral revela uma base neural para a inteligência geral, enquanto outras funções do cérebro parecem estimular diferentes partes do órgão ao mesmo tempo.

O primeiro a propor a noção de inteligência geral foi o psicólogo britânico Charles Spearman, em 1904, depois de perceber que as pessoas que obtinham alto número de pontos nos testes de inteligência demonstravam bom desempenho em todas as áreas cognitivas.

Os cientistas decidiram estudar o lobo frontal porque pessoas que sofrem lesões nesta região do cérebro costumam apresentar anormalidades e ter dificuldades de organização e de raciocínio.

Alguns cientistas, no entanto, discordam da metodologia empregada no estudo. Robert Sternberg, da University of Yale, argumenta que as imagens não revelam por que o lobo frontal é ativado. "As imagens mostram correlação, mas não causalidade".

O cientista também critica o uso do fator g como parâmetro para se medir a inteligência, pois não leva em conta algumas formas de inteligência como a criatividade. n (Jornal do Brasil).

 

O segredo mortal do Ebola foi desvendado

Uma proteína permite ao vírus romper a parede dos vasos sangüíneos, causando hemorragias externas e internas e levando à morte na maioria dos casos.

A descoberta, publicada na revista britânica "Nature Medicine", foi feita nas instituições norte-americanas NIH (Institutos Nacionais de Saúde) e CDC (Centros para Controle e Prevenção de Doenças).

A identificação da proteína, além de ajudar a entender o mecanismo de ação do vírus, oferece um alvo para pesquisas de medicamentos e de vacinas contra a doença. O tratamento disponível atualmente para a infecção não é específico, mas apenas tenta compensar seus efeitos.

A infecção por Ebola é quase sempre fatal. No primeiro surto da doença, em 76, no Congo (ex-Zaire), das 318 pessoas infectadas, 88% morreram. O segundo pior surto, em 95, também no Congo, matou 81% dos 315 doentes.

O contagio é fácil e rápido. Ocorre por meio das secreções ou do sangue de pessoas infectadas.

A proteína identificada danifica as células das paredes dos vasos sangüíneos. O sangue contido vaza, causando sangramentos internos e externos. Por isso a infecção é chamada de febre hemorrágica.

Os sintomas mais comuns são febre alta, dores no corpo e no estômago, cansaço e diarréia. Muitas pessoas apresentam hemorragias nos olhos, nas gengivas e nos órgãos internos, o que causa vômitos e diarréia com sangue.

Na fase terminal, alem de febre e hemorragia, o paciente entra em choque por causa da queda da pressão sangüínea. Não se sabe explicar a resistência de algumas pessoas, cujo sistema imunológico consegue derrotar o vírus.

O estudo identificou o gene que comanda a produção da proteína "assassina". Segundo Gary Nabel, um dos autores, esse é o principal gene envolvido na ação do Ebola. Drogas que bloqueiem a ação da proteína poderiam tratar a doença.

Com uma pequena modificação na estrutura da proteína, os cientistas já conseguiram impedir sua ação -o primeiro passo na busca de uma terapia. Nabel diz que agora é preciso descobrir quais proteínas do corpo interagem com a proteína viral.

O Ebola recebeu seu nome por ter sido encontrado na região do rio Ebola, no Congo, em 76. O único caso, em humanos, registrado fora do continente africano ocorreu no Reino Unido, com a contaminação acidental de um funcionário de laboratório.

O Ebola, considerado um vírus raro, causa uma das mais violentas febres hemorrágicas. Nabel disse que infecções virais similares podem ter mecanismo de ação semelhante ao descoberto por ele.

Uma dessas infecções ocorre no Brasil: a dengue hemorrágica. Os sintomas são parecidos com os do Ebola: febre, dor de cabeça, tontura, dores musculares, queda de pressão e sangramentos.

Há quatro tipos de vírus da dengue. Quem já foi infectado por um e é contaminado por outro desenvolve a versão hemorrágica. A transmissão é feita pela picada do mosquito Aedes aegypti infectado. n (Jornal Folha de São Paulo).

 

Físicos descobrem a partícula tau-neutrino, após 20 anos de pesquisa

Após 20 anos de procura, cientistas encontraram a primeira evidência direta de uma das mais esquivas partículas subatômicas da natureza - o tau-neutrino.

O feito, foi obtido por pesquisadores no Fermi National Accelerator Laboratory (Fermilab), na região de Chicago.

Um dos blocos fundamentais de toda a matéria, o tau é a última das partículas subatômicas, cuja existência era postulada, a ser confirmada experimentalmente.

"É um tremendo marco", disse Martin Perl, físico da Universidade de Stanford, EUA, e vencedor do Prêmio Nobel, que teorizou a existência do tau-neutrino em 78. "Agora ele foi visto e comporta-se da forma que esperávamos."

Os neutrinos movem-se por todos os lugares à velocidade da luz. Trilhões passam através de nós a cada segundo. Mas eles estão entre as mais tímidas das partículas subatômicas, sem carga elétrica e virtualmente sem massa.

O tau-neutrino é o terceiro tipo de neutrino encontrado. Os primeiros dois - eletron-neutrino e muon-neutrino - foram descobertos em 1956 e 62.

Em 78, a equipe de Perl descobriu outra classe de partícula subatômica, o tau-lepton. Isso sugeria a existência do tau-neutrino, porque os neutrinos são precursores dos leptons. n (Jornal o Estado de São Paulo)

 

Você conhece a sua língua?

Onde está o erro nesta frase:

Que tal irmos na seção das dez para assistirmos ao filme do Spielberg?

 

RESPOSTAS DO IG ANTERIOR

Onde está o erro nesta frase:

Eu concordo com você. A minha idéia vai de encontro com a sua

                              "de": significa oposição ou confronto

                                      "ao": significa concordância

Portanto, a frase correta é:

Eu concordo com você. A minha idéia vai ao encontro da sua

 

Sugestão de leitura    Livro:   Todo o mundo tem dúvida, inclusive você.

                                      Autor:   Édison de Oliveira

 

Curiosidades sobre o calendário

(continuação)

Um dos últimos países no mundo a adotarem o calendário gregoriano foi a China, em 1912. Ele só começou a ser usado em 1949, depois da revolução maoísta. O antigo calendário chinês continua em vigor.

Devido às divergências entre as igrejas do Oriente e do Ocidente, os países balcânicos só adotaram o método gregoriano neste século, caso de Bulgária (1915), Rússia (1918), Romênia (1919) e Grécia (1924).

A Igreja Ortodoxa russa ainda guia suas festividades pelo antigo calendário juliano, agora 13 dias atrasado em relação ao gregoriano. Para eles, a virada de ano ocorre apenas em 14 de janeiro.

Em Roma e na Idade Média, os dias eram contados com base no primeiro dia (calendae), no quinto ou no sétimo (nonae) e no 13º ou no 15 º (idus). Assim, 14 de maio era pridie idus (o dia anterior aos idos de maio).

 

Veneno de lagarta ativa coagulação sangüínea

Componente da peçonha da Lonomia obliqua age sobre a protrombina

Os primeiros casos de contato com a L. obliqua no Brasil surgiram em 1989. O veneno da lagarta Lonomia obliqua possui um componente chamado lopap capaz de ativar o sistema de coagulação sangüínea. A constatação foi feita pelo bioquímico Cleyson Valença Reis durante pesquisa desenvolvida para o mestrado da Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp), sob orientação de Ana Marisa Chudzinski-Tavassi, do Instituto Butantan. Cursando atualmente o doutorado, Reis está dando continuidade ao estudo.

A formação do coágulo sangüíneo ocorre ao final de um processo que, após um trauma, envolve uma série de reações em cascata. Essas reações ativam enzimas do plasma que em estado normal estão inativas. O lopap age ativando uma enzima envolvida nas reações finais desse processo, a protrombina, que é transformada em trombina. A trombina, por sua vez, é a enzima que transforma fibrinogênio em fibrina, coagulando o sangue.

"O lopap pode ser um novo tipo de molécula ativadora de protrombina", define Cleyson Reis. Ele parece ser diferente de outras substâncias com a mesma função já conhecidas, como as que existem em alguns venenos de serpentes. Ele age diretamente na protrombina. A trombina formada acelera a ativação das proteínas iniciais do processo de coagulação, que acontece mais rapidamente. Com isso, todos os fatores de coagulação (substâncias presentes no plasma necessárias para a formação de coágulos) são usados. A ausência desses fatores faz com que o sangue se torne incoagulável. Esse quadro é chamado de coagulação intravascular disseminada ou coagulopatia de consumo.

As pessoas que entram em contato com a Lonomia obliqua apresentam dor de cabeça, febre, vômito, dor local e hemorragia. O tratamento existente para as vítimas da lagarta é o soro desenvolvido pelo Instituto Butantan. Um extrato é feito com as cerdas da Lonomia obliqua e injetado em cavalos que produzem anticorpos para o veneno. O sangue do cavalo é retirado e dele é produzido o soro.

Quando os primeiros casos de contato com a Lonomia obliqua surgiram no sul do Brasil, em 1989, pensou-se que o envenenamento fosse semelhante ao observado pela Lonomia achelous, lagarta que vive na Venezuela e cujo veneno teria ação fibrinolítica capaz de dissolver coágulos. O tratamento adotado era baseado em substâncias antifibrinolíticas, que impediam a quebra do fibrinogênio e da fibrina, protegendo assim os coágulos. Os pacientes brasileiros tratados com essas substâncias podem ter sua situação agravada, pois elas impedem a dissolução de coágulos, ao passo que, no envenenamento com Lonomia obliqua, ocorre uma ativação do sistema de coagulação. n (Revista Ciência Hoje).

 

FONTES DOS ARTIGOS

þJornal Folha de São Paulo (FSP)
þ Revista Época (RE)

 topo.gif (1033 bytes)